O texto do Mario Mestri, que postei abaixo, é um pouco radical, mas fez-me pensar nos porquês que o natal tem sido, cada ano mais, festa vazia para mim. Sobre a figura de Jesus, sendo um mito, ou não, ainda admiro em alguns aspectos... Outra questão que ele critica e que ainda vejo como positiva se refere as festas familiares, pois nem isso temos mais... mas no resto: ausência de historicidade; monopólio do cristianismo; individualismo; consumismo; e muitas outras questões, as quais fazem com que o natal seja uma festa praticamente obrigatória, mas sem significado real para os adeptos a outras crenças, os ateus e atoas (que é meu caso), que são obrigados a engolir presépio cristão e papai noel norte americano em cada canto do mês de dezembro! Se eu tivesse filhos, como faria para romper com esses mitos? As escolas, que deveriam ser laicas, mantém tais mitos como verdades... e na festinha de final de ano, contratam um homem (na maioria das vezes, um ferrado desempregado que se submete a uma roupa quente, toca e barba sintética em pleno verão) para presentear as crianças...
Enfim: é difícil correr!
...de fora para dentro, de dentro pra fora: a dialética humana! Somos formados pelo que vem de fora, valores, pensamentos, ideologias e isso tudo é (re)entendido,(re)lido, (re)elaborado, (re)digerido, (re)produzido e colocado pra fora, como se fosse a primeira instância. Não é a primeira instância, o que está neste blog é sim a materialização de todos os pensamentos do mundo que passaram por mim e representam uma época, um contexto, uma sociedade. Sou louca, mas não sou sozinha.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Por que não festejo e me faz mal o Natal (Mário Maestri)
Não festejo e me faz mal o Natal por diversas razões, algumas fracas,outras mais fortes. Primeiro, sou ateu praticante e, sobretudo, adulto. Portanto, não participo da solução fácil e infantil de responsabilizar entidade superior, o tal de "pai eterno", pelos desastres espirituais e materiais de cuja produção e, sobretudo,
necessária reparação, nós mesmos, humanos, somos responsáveis. Sobretudo como historiador, não vejo como celebrar o natalício de personagem sobre o qual quase não temos informação positiva e não sabemos nada sobre a data, local e condições de nascimento. Personagem que, confesso, não me é simpático, mesmo na narrativa
mítico-religiosa, pois amarelou na hora de liderar seu povo, mandando-o pagar o exigido pelo invasor romano: "Dai a deus o que é de deus, dai a César, o que é de César"!
O Natal me faz mal por constituir promoção mercadológica escandalosa que invade crescentemente o mundo exigindo que, sob a pena da imediata sanção moral e afetiva, a população, seja qual for o credo, caso o tenha, presenteie familiares, amigos, superiores e subalternos, para o gáudio do comércio e tristeza de suas finanças, numa redução miserável do valor do sentimento ao custo do presente.
Não festejo e me desgosta o Natal por ser momento de ritual mecânico de hipócrita fraternidade que, em vez de fortalecer a solidariedade agonizante em cada um de nós, reforça a pretensão da redenção e do poder do indivíduo, maldição mitológica do liberalismo, simbolizada na excelência do aniversariante, exclusivo e único demiurgo dos males sociais e espirituais da humanidade.
Desgosta-me o caráter anti-social e exclusivista de celebração que reúne egoísta apenas os membros da família restrita, mesmo os que não se freqüentaram e se suportaram durante o ano vencido, e não o farão, no ano vindouro. Festa que acolhe somente os estrangeiros incorporados por vínculos matrimoniais ao grupo familiar excelente, expulsos da cerimônia apenas ousam romper aqueles liames.
Horroriza-me o sentimento de falsa e melosa fraternidade geral, com que nos intoxica com impudícia crescente a grande mídia, ano após ano, quando a celebração aproxima-se, no contexto da contraditória santificação social do egoísmo e do individualismo, ao igual dos armistícios natalinos das grandes guerras que reforçavam, e ainda reforçam - vide o peru de Bush, no Iraque - o consenso sobre a bondade dos valores que justificavam o massacre de cada dia, interrompendo-o por uma noite apenas.
Não festejo o Natal porque, desde criança, como creio para muitíssimos de nós, a festa, não sei muito bem por que, constituía um momento de tensão e angústia, talvez por prometer sentimentos de paz e fraternidade há muito perdidos, substituindo-os pela comilança indigesta e a abertura sôfrega de presentes, ciumentamente cotejados com os cantos dos olhos aos dos outros presenteados.
Por tudo isso, celebro, sim, o Primeiro do Ano, festa plebéia, hedonista, aberta a todos, sem discursos melosos, celebrada na praça e na rua, no virar da noite, ao pipocar dos fogos lançados contra os céus. Celebro o Primeiro do Ano, tradição pagã, sem religião e cor,quando os extrovertidos abraçam os mais próximos e os introvertidos levantam tímidos a taça aos estranhos, despedindo-se com esperança de um ano mais ou menos pesado, mais ou menos frutífero, mais ou menos sofrido, na certeza renovada de que, enquanto houver vida e luta, haverá esperança.
La Insignia. Brasil, dezembro de 2006.
necessária reparação, nós mesmos, humanos, somos responsáveis. Sobretudo como historiador, não vejo como celebrar o natalício de personagem sobre o qual quase não temos informação positiva e não sabemos nada sobre a data, local e condições de nascimento. Personagem que, confesso, não me é simpático, mesmo na narrativa
mítico-religiosa, pois amarelou na hora de liderar seu povo, mandando-o pagar o exigido pelo invasor romano: "Dai a deus o que é de deus, dai a César, o que é de César"!
O Natal me faz mal por constituir promoção mercadológica escandalosa que invade crescentemente o mundo exigindo que, sob a pena da imediata sanção moral e afetiva, a população, seja qual for o credo, caso o tenha, presenteie familiares, amigos, superiores e subalternos, para o gáudio do comércio e tristeza de suas finanças, numa redução miserável do valor do sentimento ao custo do presente.
Não festejo e me desgosta o Natal por ser momento de ritual mecânico de hipócrita fraternidade que, em vez de fortalecer a solidariedade agonizante em cada um de nós, reforça a pretensão da redenção e do poder do indivíduo, maldição mitológica do liberalismo, simbolizada na excelência do aniversariante, exclusivo e único demiurgo dos males sociais e espirituais da humanidade.
Desgosta-me o caráter anti-social e exclusivista de celebração que reúne egoísta apenas os membros da família restrita, mesmo os que não se freqüentaram e se suportaram durante o ano vencido, e não o farão, no ano vindouro. Festa que acolhe somente os estrangeiros incorporados por vínculos matrimoniais ao grupo familiar excelente, expulsos da cerimônia apenas ousam romper aqueles liames.
Horroriza-me o sentimento de falsa e melosa fraternidade geral, com que nos intoxica com impudícia crescente a grande mídia, ano após ano, quando a celebração aproxima-se, no contexto da contraditória santificação social do egoísmo e do individualismo, ao igual dos armistícios natalinos das grandes guerras que reforçavam, e ainda reforçam - vide o peru de Bush, no Iraque - o consenso sobre a bondade dos valores que justificavam o massacre de cada dia, interrompendo-o por uma noite apenas.
Não festejo o Natal porque, desde criança, como creio para muitíssimos de nós, a festa, não sei muito bem por que, constituía um momento de tensão e angústia, talvez por prometer sentimentos de paz e fraternidade há muito perdidos, substituindo-os pela comilança indigesta e a abertura sôfrega de presentes, ciumentamente cotejados com os cantos dos olhos aos dos outros presenteados.
Por tudo isso, celebro, sim, o Primeiro do Ano, festa plebéia, hedonista, aberta a todos, sem discursos melosos, celebrada na praça e na rua, no virar da noite, ao pipocar dos fogos lançados contra os céus. Celebro o Primeiro do Ano, tradição pagã, sem religião e cor,quando os extrovertidos abraçam os mais próximos e os introvertidos levantam tímidos a taça aos estranhos, despedindo-se com esperança de um ano mais ou menos pesado, mais ou menos frutífero, mais ou menos sofrido, na certeza renovada de que, enquanto houver vida e luta, haverá esperança.
La Insignia. Brasil, dezembro de 2006.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
“o tempo passa rápido e caminhar faz bem, minha fia”, talvez diria minha tetravó...
Com certeza, a frase que hoje vemos como jargão: “o tempo passa rápido”, já era repetida por minha tetravó.. E hj, ao fazer a minha caminhada matinal, tive a convicção de que o passar rápido do tempo é uma verdade. Caminhei aqui em Bauru, em um percurso que criei no final de 2008. Quando criei este percurso, que deve dar uns 6 km (hj irei contar isso), estava enlouquecida por conta de tantas frustrações amorosas e ainda não sabia que o pior estava por vir. Além disso, estava disposta a emagrecer. E caminhar foi uma grande saída para as frustrações amorosas e para o emagrecimento. Comecei caminhar chorando, ouvindo músicas do Nando Reis, Vanessa da Matta, Daniel Gonzaga. A caminhada movimentava a serotonina e o choro de soluçar passava. A caminhada queimava calorias e comecei emagrecer. De dezembro de 2008 para cá, muitas coisas aconteceram e a caminhada passou a fazer parte do meu cotidiano. O primeiro dia de 2009 foi de lágrimas profundas, pois quando caminhava nos últimos dias de 2008 não sonhava que teria tão grande decepção, justamente na virada de 2008 para 2009. A decepção feriu a alma, feriu o corpo. E a caminhada continuou. Nos últimos dias de 2008, em minha rota equilibradora de serotonina e detonadora de calorias, pensava no que estava por vir, tinha esperança. Muita esperança. Nos primeiros dias de 2009, em minha rota equilibradora de serotonina e detonadora de calorias, pensava na mágoa da traição. Na dor, que deveria ser finalizada. Sentia ódio dele. Sentia ódio de mim. No ódio de mim mesma por gostar de alguém que me oprimia e acabava com minha criatividade interna. Mas o tempo foi passando. Outros pensamentos vieram à mente durante as caminhadas. Conquistas em aspectos não afetivos aconteceram. Os quilos foram sendo combatidos. O inverno chegou, as caminhadas diminuíram, mas o tempo continuou correndo rápido. Não foi fácil superar tanta mágoa. Aliás, não está sendo fácil. Mas o tempo passa. "O tempo passa e caminhar faz bem, minha fia", talvez diria minha tetravó, ao me dar um conselho sobre essa história. E hoje, últimos dias de 2009, os pensamentos foram outros. Olhei para as expectativas de um ano atrás e para a dor que me perseguiu durante todo 2009, como “coisa do passado”. Sim, me veio um sentimento de frustração: puxa, o ano passou e o que eu esperava (há exato um ano atrás) não se concretizou, afinal de contas, esperava viver um relacionamento com o homem que eu dedicava toda energia. Claro que hoje senti isso. Mas, me veio também a sensação de que o “novo” esta por vir e a dor tão devastadora ficou no passado. E senti, como nunca, que o tempo passa. Não só passa... Ele passa rápido. É veloz, voraz, contraditório e dialético... Minha tetravó teria razão ao me dizer essa verdade: o tempo passa rápido e caminhar faz bem...
texto publicado em 29/12/09 e revisto em 30/12/09!!!!
texto publicado em 29/12/09 e revisto em 30/12/09!!!!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
... almoçar com você estragaria meu dia.
... não poderia deixar de dizer que meu nome não combina mais com sua voz... mas quem sabe um dia vc consegue esquecer meu nome e a minha passagem por sua história. Almoçar com vc, sem chance. Para que almoçar com uma pessoa que me faz tanto mal? Cansei... Será que vc não percebeu que cansei de verdade. Não faço parte do seu rol de ex. De ex que vc faz e desfaz. É muita cara de pau a sua gritar meu nome. Esqueça que eu existo.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
fracassada, cheia de inveja dos mortos.
...fracassada... me sinto fracassada. Um ano se passou e eu ainda sofro com as notícias. Com a falta. A dor e os pensamentos que me consomem fazem com que eu me lembre da música "Sobra Tanta Falta" do “O Teatro Mágico”...
“Falta tanta coisa na minha janela, como uma praia
Falta tanta coisa na memória, como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio, quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência que me desespero
Sobram tantas meias-verdades que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo
Sei lá,se o que me deu foi dado
Sei lá,se o que me deu já é meu
Sei lá, se o que me deu foi dado ou se é seu”
Sou uma fracassada...
Tenho inveja dos mortos.
“Falta tanta coisa na minha janela, como uma praia
Falta tanta coisa na memória, como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio, quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência que me desespero
Sobram tantas meias-verdades que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo
Sei lá,se o que me deu foi dado
Sei lá,se o que me deu já é meu
Sei lá, se o que me deu foi dado ou se é seu”
Sou uma fracassada...
Tenho inveja dos mortos.
sábado, 19 de dezembro de 2009
uma música perfeita do Daniel Gonzaga, só podia ser filho do Gonzaguinha!
Caminho
(Daniel Gonzaga)
Hoje eu já não sei do meu caminho
Eu não sei o que eu quero
Hoje eu sei que desespero quando estou sozinho
Sei que a força nada tem a ver com a rigidez
Malhabilidade, agilidade, talvez
Hoje eu sei o que espero e sei que estou sozinho
Que caminho a gente faz trilhando passo a passo
Nessa fria paralela dura como aço
Tudo se fala de novo nessa terra morta
Tudo se fala de novo nessa terra morta
Chão seguro, grama seca e o mundo inteiro
Pra se andar de ponta a ponta sem perder caminho
Hoje em dia nesse mundo nada está sozinho
Nem existem mais as portas que fechem passagem
Não existe mais o cisco que atrapalha a beleza
Nem mais teias de aranha no canto do quarto
Nem lugar praquela antiga falta de certeza
Nem lugar na prateleira pra botar mais disco
Não existe mais você dentro da brincadeira
Tudo existe ao mesmo tempo sempre o tempo todo
Hoje a teia ocupa a nossa casa inteira
Hoje em dia nesse mundo nada está sozinho
Tudo se fala de novo nessa terra morta
Tudo se fala de novo nessa terra morta
(Daniel Gonzaga)
Hoje eu já não sei do meu caminho
Eu não sei o que eu quero
Hoje eu sei que desespero quando estou sozinho
Sei que a força nada tem a ver com a rigidez
Malhabilidade, agilidade, talvez
Hoje eu sei o que espero e sei que estou sozinho
Que caminho a gente faz trilhando passo a passo
Nessa fria paralela dura como aço
Tudo se fala de novo nessa terra morta
Tudo se fala de novo nessa terra morta
Chão seguro, grama seca e o mundo inteiro
Pra se andar de ponta a ponta sem perder caminho
Hoje em dia nesse mundo nada está sozinho
Nem existem mais as portas que fechem passagem
Não existe mais o cisco que atrapalha a beleza
Nem mais teias de aranha no canto do quarto
Nem lugar praquela antiga falta de certeza
Nem lugar na prateleira pra botar mais disco
Não existe mais você dentro da brincadeira
Tudo existe ao mesmo tempo sempre o tempo todo
Hoje a teia ocupa a nossa casa inteira
Hoje em dia nesse mundo nada está sozinho
Tudo se fala de novo nessa terra morta
Tudo se fala de novo nessa terra morta
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
e-mail de final de ano?
... estou triste por não ter coragem de escrever e-mail de avaliação do ano e envia-lo para todos amigos, amigas, inimigos, inimigas...
será que este blog irá me ajudar?
será que devo manter o ritual anual e escrever o tradicional e-mail de final de ano?
estou estranha! muito estranha!
será que este blog irá me ajudar?
será que devo manter o ritual anual e escrever o tradicional e-mail de final de ano?
estou estranha! muito estranha!
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